Espancado por membros de organizada do Vasco diz que integrou 'Força Jovem' por 14 anos
20/10/2026
(Foto: Reprodução) Advogado denuncia agressão de torcida organizada em Cabo Frio.
O advogado Rafael Vieira da Costa, de 39 anos, que aparece em um vídeo sendo espancado por integrantes de uma torcida organizada, afirmou que fez parte da Força Jovem Vasco 20ª Família por 14 anos.
Segundo ele, as agressões começaram após integrantes da torcida organizada exigirem que retirasse a camisa do grupo que vestia. Rafael contou que saiu da torcida organizada há cinco anos, por não concordar com a atual liderança.
Em nota, a Força Jovem Vigésima 20ª Família da região afirmou que "o que aconteceu foi uma briga entre duas pessoas, um conflito pessoal e particular, sem qualquer relação com a torcida" e repudiou qualquer tipo de violência. (Veja nota na íntegra ao final da reportagem).
A ação aconteceu durante a madrugada de quarta-feira (14), na Rua Porto Alegre, no bairro Palmeiras, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio. O vídeo mostra que, mesmo caído no chão e sem esboçar reação, ele continua sendo alvo de socos e chutes.
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Rafael contou que sofreu um chute na cabeça, teve um hematoma no olho direito e perdeu um dente durante as agressões. Segundo ele, uma amiga que estava no local relatou que ele chegou a ficar desacordado por cerca de cinco minutos. Ainda de acordo com o advogado, os chutes na cabeça continuaram mesmo após ele perder a consciência.
"Quando fui abordado, por uns 15 integrantes da torcida organizada do Vasco, fui ameaçado de que onde eu estivesse, seria agredido, por causa de problemas que ocorreram no passado. Também disseram que eu não poderia usar a camisa da torcida. Logo em seguida levei um soco no rosto e começou a sequência de agressões", contou.
De acordo com o advogado, ele assistiu ao jogo do Vasco em um bar na Avenida Vitor Rocha e, após a partida, seguiu para a Rua Porto Alegre. Um amigo que o acompanhava foi embora, e ele permaneceu no local com duas amigas.
Segundo o relato, cerca de 15 integrantes da torcida organizada se aproximaram dele. Um dos homens teria exigido que ele retirasse a camisa que vestia, sob a alegação de que não fazia mais parte do grupo.
O advogado afirmou ainda que foi ameaçado em razão de desentendimentos ocorridos anteriormente e que a discussão também envolveu comentários sobre um antigo líder da torcida, amigo dele. Segundo Rafael, ele já havia discutido com um dos envolvidos cerca de dois anos antes.
Rafael procurou atendimento médico e registrou o caso neste domingo (18) na 126ª Delegacia de Polícia. O advogado defende que o caso seja apurado como tentativa de homicídio por afirmar que recebeu chutes na cabeça mesmo após desmaiar. A ocorrência, no entanto, foi registrada como lesão corporal.
“Eu só lembro que eu acordei aqui na minha cama. Espero que os fatos sejam apurados e que os responsáveis sejam identificados e punidos”, afirmou.
Ele fez o exame de corpo de delito nesta segunda-feira (19). Na delegacia, ele declarou que demorou a buscar atendimento por sentir vergonha do ocorrido. Ao g1, a Polícia Civil informou que realiza buscas e analisa imagens para identificar os envolvidos.
À polícia, Rafael identificou um dos envolvidos, apontado por ele como líder da Força Jovem Vasco 20ª Família. Os outros dois homens citados como autores das agressões não foram identificados no registro.
No relato, ele informou que recebeu um soco no rosto e tentou segurar o agressor, mas não conseguiu. Em seguida, passou a ser agredido no chão.
Rafael apresentou à polícia um vídeo que registra parte das agressões, além de fotografias das lesões feitas logo após o episódio e no dia seguinte. Ele também entregou uma cópia do Boletim de Atendimento Médico e informou o perfil da torcida organizada no Instagram, na tentativa de auxiliar a identificação dos envolvidos.
O que diz a Força Jovem Vasco 20ª Família
Diante das acusações feitas no Boletim de Ocorrência registrado por um dos envolvidos na confusão ocorrida na última terça-feira, a Força Jovem Vigésima Família vem a público esclarecer os fatos e defender a verdade, a honra e a imagem de todos os seus integrantes.
O que aconteceu foi uma briga entre duas pessoas, um conflito pessoal e particular, sem qualquer relação com a torcida. Segundo o relato dos integrantes presentes, o advogado Rafael estava alterado e, ao reconhecer uma pessoa com quem já possuía conflitos anteriores, partiu para o confronto, dando início à confusão.
Antes da briga, ainda no local, ele teria começado a nos ofender por questões pessoais, relacionadas à sua participação em uma antiga gestão. Segundo os integrantes, essa gestão foi marcada por episódios que consideram prejudiciais à imagem da família. Acreditamos que a insatisfação com a perda do cargo, ocorrida de forma unânime, contribuiu para as provocações. Na ocasião, ele teria ameaçado, provocado e desafiado um integrante da nossa torcida.
A situação evoluiu para uma briga entre os dois envolvidos. As pessoas que estavam ao redor já se encontravam no local e, diante da confusão, procuraram intervir para separar os envolvidos e evitar que algo mais grave acontecesse. Eram pessoas que já se conheciam, e a presença delas ao redor não significa participação na agressão.
É importante destacar que, conforme nossa interpretação das imagens disponíveis, somente Rafael e a outra pessoa se envolveram fisicamente na briga. Rafael vestia a camisa da Força Jovem, enquanto a outra pessoa não usava o uniforme da torcida. Por isso, defendemos que não se deve atribuir responsabilidade coletiva aos demais integrantes sem provas concretas da participação individual de cada um.
Também nos preocupa que a versão de apenas um dos envolvidos esteja sendo divulgada sem que todos os lados sejam ouvidos. Acreditamos que qualquer apuração responsável deve considerar as imagens completas, os depoimentos e as demais evidências, sem julgamentos antecipados.
A Força Jovem Vigésima Família repudia qualquer tipo de violência. Defendemos a união, o respeito e a nossa história. Não aceitaremos que um conflito de natureza individual seja utilizado para prejudicar a imagem de uma torcida inteira, nem que integrantes sejam responsabilizados por atos dos quais não participaram.
Agressão à advogado por torcida organizada do Vasco em Cabo Frio (RJ).
Arquivo pessoal